do Blog do Noblat:
Quem mandou Lula adotar o antigo modelo mexicano de escolha de candidatos a presidente da República?
No país onde a febre suína deu seu primeiro sinal de vida, o presidente da República, consultada a cúpula do seu partido, costumava indicar o seu sucessor.
E como ali, de 1929 até 2000, mandou o Partido Revolucionário Institucional (PRI), quem o presidente indicava estava eleito de véspera – ou antevéspera.
Nem o Brasil é o México nem o PT é o PRI.
Para impor sua vontade de eleger uma candidata que nunca disputou eleição, que até outro dia era inteiramente desconhecida pela quase totalidade dos brasileiros, Lula precisou empurrar o nome dela goela abaixo do PT – e conseguiu.
Agora, precisa empurrar goela abaixo dos demais partidos que apóiam o seu governo. É aqui que a porca torce o rabo (nada ver com a febre suína, please).
Os partidos estão no melhor dos mundos. Lula virou refém deles. Ou satisfaz suas vontades ou adeus apoio à Dilma. E mesmo que satisfaça não tem garantia alguma de que os partidos irão com Dilma.
Daqui até as convenções partidárias em meados do próximo ano, será vexame em cima de vexame.
O mais recente tem a ver com a tentativa do ministro Nelson Jobim, da Defesa, de moralizar a administração da Infraero, empresa estatal responsável pela administração dos aeroportos.
Quem disse que os partidos aliados do governo, especialmente o PMDB, querem moralizar alguma coisa? Pelo contrário.
Como o brigadeiro posto por Jobim à frente da Infraero resolveu acabar com a farra das nomeações de pessoas indicadas pelos partidos – e, como se fosse pouco, demitiu até parentes de políticos ilustres -, o PMDB chiou e começou a chantagear Lula.
Ou Lula manda Jobim sustar o processo que o brigadeiro deflagrou ou o PMDB faz corpo mole no Congresso e ajuda a derrotar matérias de interesse do governo. Se isso não bastar, o PMDB ainda poderá se bandear para o lado da candidatura a presidente de José Serra (PSDB).
E aí, meu chapa? Paga pra ver ou abandona a mesa?
Lula piscou primeiro. Congelou a demissão de parentes de alguns líderes do PMDB. Deve estar empenhado em convencer Jobim a se dar por satisfeito com a moralização particial da administração da Infraero. Nesse caso, a pressa pode prejudicar a candidatura de Dilma.
Afinal, há limites para tudo – até mesmo para o que seria certo fazer.
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